"Estão cumpridas as ordens de V.Exa. A coluna do meu comando efetuou a marcha sobre Manjacase. Chegado a langua, provoquei o inimigo em combate, bombardeando a povoação.Gente do Ngungunhane apareceu no bosque que circunda e oculta o Kraal, em pequenos grupos, respondendo apenas com alguns tiros de espingarda ao fogo de artilharia da coluna, que os dispersou rapidamente. "Em seguida, deixando o comboio devidamente escoltado, marchei sobre o Manjacaze, que encontrei abandonado, mas com muitas munições e objetos de uso dos habitantes, tudo na desordem própria de uma precipitada fuga.Os auxiliares saquearam a povoação e o chigocho do régulo, que logo depois mandei incendiar, ficando tudo completamente destruído, e voltando com a coluna ao bivaque na langua"
Assim começa o relatório à posteridade do coronel Galhardo. Um relatório pormenorizado, prolixo, mas falho em aspectos importantes que o coronel omitiu, ao não registrar: - O fato de ter profanado como um ímpio o llhambelo, urinando com algum esforço sobre o estrado onde Ngungunhane se dirigia na época dos rituais e muito menos os escarros que atirou à parede de troncos, misturados com o tabaco do charuto que ostentavo a entre os lábios queimados.
- O roubo de cinco peles de leão que ostentou na metrópole, como resultado de uma caçada perigosa em terras africanas.
- O fato de ter, pessoalmente esventrado cinco negros com o intuito de se certificar da dimensão do coração dos prestos.
- O fato de se ter mantido sóbrio e sereno face às labaredas que comiam as palhotas da capital do império e ao choro da criança em chamas que gatinhava desesperada, por entre as chamas e os troncos queimados e o capim e o adobe que desabava, procurando a vida na estupidez da guerra.
A propósito deste homem o então comissário régio de Moçambique (1895) António Enes, escreveu, anos mais tarde, nas suas memórias, o seguinte: "se na galeria dos homems ilustres estiver inscrita a bravura, a tenacidade, o respeito pelo homem, a bondade, o amor à pátria, o coronel Galhardo tem assento por mérito próprio.
de Ualalapi de Ungulani Ba Ka Khosa Instituto Nacional do Livro e do Disco, 1981
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