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A obra de Knut Hamsun representou uma volta ao subjetivismo e à valorização da experiência pessoal, frente ao naturalismo predominante na literatura européia, no final do século XIX.

Knut Pederson, que escrevia sob o pseudônimo de Knut Hamsun, nasceu em 4 de agosto de 1859, em Lom, Noruega. Filho de camponeses, começou a escrever aos 19 anos, enquanto se sustentava com trabalhos modestos, sem ter recebido educação formal. Graças a seus esforços, conseguiu ser professor rural. Emigrou duas vezes para os Estados Unidos, onde trabalhou como condutor de bondes em Chicago e peão de fazenda em Dakota do Norte. Essas experiências seriam aproveitadas em suas obras literárias.

O romance Sult (1890; Fome) fez muito sucesso e nele o autor já revelava a intenção de ultrapassar o realismo social do compatriota Henrik Ibsen, marcando o início de uma tendência neo-romântica inspirada no individualismo, na exploração da subjetividade e no canto à natureza. Na crueza de Sult, a miséria não leva à crítica social, mas a uma revolta negativista e individual. Seguiram-se os romances Pan (1894) e Victoria (1898).

Depois de escrever poemas e peças teatrais de menor repercussão, Hamsun produziu vários romances, como Under höstsjernen (1906; Sob o céu vazio), En vandre spiller nud sordin (1909; Um vagabundo toca em surdina) e Markens grode (1917; Os frutos da terra). Com profundo lirismo, o autor repudia, nessas obras, a moderna sociedade ocidental. Em 1920, recebeu o Prêmio Nobel de literatura.

Com a invasão alemã da Noruega, na segunda guerra mundial, Hamsun apoiou os nazistas, que pareciam encarnar a renovação cultural que ele defendia. Depois da guerra foi preso por traição, mas logo indultado devido à idade avançada.

Morreu em Grimstad, Noruega, em 19 de fevereiro de 1952.

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