Autobiografia SelvagemNasci de uma família judia e burguesa em Bucareste, o país considerado o mais anti-semita da Europa, em 30 de abril de 1924. O dinheiro (éramos ricos) facilitou muito minha vida, muito conforto, muita alienação. Cursei o ginásio na Romênia, até completar 14 anos. Continuei os estudos na Inglaterra, na eclosão da guerra de 39 permaneci lá e o restante da família — pai, mãe, irmã (a artista plástica Myra Landau) — voltou para Bucareste. Em dezembro de 1940 vim para o Brasil, onde a minha família já residia. Completei o ginásio no Rio, estudei engenharia, graduei-me em 1949, casei em 1950. Tenho 4 filhos (3 homens e 1 mulher) e 8 netos. Trabalhei durante mais de 40 anos na profissão e sinto orgulho de ter contribuído para o desenvolvimento do Brasil, construindo rodovias, ferrovias, hidrelétricas e na eletrificação. A vida nômade permitiu-me conhecer muito bem o país e sua gente. Aposentei-me do trabalho em 1992. A educação que me foi dada desde a infância viciou-me na cultura, literatura, música, pintura. Sou também apaixonado pelo cinema. A ociosidade da aposentadoria deixou-me abatido. Tentara antes escrever, desistira. Minha mulher e meus filhos deram-me de presente um computador e, assim, participei de oficina literária durante 5 anos. Meu primeiro livro - Comissário Alfredo - foi editado em 1995; o segundo - Oa anjos também morrem - em 1997; o terceiro - Encontro em Salvador - em 1998; o quarto - Eles, Eu, Outros (poesia) - em 1999; o quinto - Tudo por nada - e o sexto — Confissões (poesia) - em 2001. Escrevi meus romances inspirado pelo noir, o anti-herói solitário, que tem sua ética própria, um código de honra especial, violento por necessidade e vivência, corroído pelo sentimento de culpa, coração de manteiga e assim por diante. Introduzi também semente de cultura no personagem. Estou convicto de que, em situações extremas, o verdadeiro EU surge, portanto, acredito que meus livros podem ser lidos como passatempo e, também, por quem for sensitivo e queira encontrar contexto sócio-psicológico. Queria também deixar claro que todos os humanos possuem o muito mal e o muito bom, que se expõe de acordo com as circunstâncias. Meu primeiro livro de poesia foi um projeto antigo. Rabisquei muitos e deixei-os armazenados. Precisava de mais leitura (de outros poetas), precisava da coragem de me expor, precisava que meu interior explodisse. À medida que relia, eu reescrevia, um processo doloroso, cansativo. Gastei muitos maços de cigarros, devo ter encurtado minha vida, mas valeu a pena. Continuo escrevendo, tenho dois romances prontos e novos poemas a caminho. Escrevo contos — tenho muitos — para exercitar a mente, puxar pela imaginação. Tudo o que escrevo tem muito ou um pouco de minha vida. |
|