| A História do Olho |
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| Escrito por Georges Bataille | |||
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Apavorado, o padre levantou-se, mas o inglês torceu-lhe um braço e jogou-o novamente nas lajes. Sir Edmond amarrou-lhe os braços atrás das costas. Eu amordacei-o e atei-lhe as pernas com o meu cinto. Depois que ele foi parar no chão, estendido, o inglês segurou-lhe os braços, comprimindo-os em suas mãos. Imobilizou-lhe as pernas envolvendo-as com as suas. De joelhos, eu mantinha a cabeça entre as coxas. O inglês disse a Simone: - Agora, trepa nesse rato de sacristia. Simone tirou o vestido. Sentou-se sobre o ventre do mártir, com a boceta perto do cacete mole. O inglês continuou, falando sob o corpo da vítima: - Agora, aperta-lhe a garganta, um canal mesmo por trás da maçã de Adão: uma forte pressão gradual. Simone apertou: um tremor crispou o corpo imobilizado, e o pau ergueu-se. Agarrei-o e introduzi-o na carne de Simone. Ela continuava apertando a garganta. Violentamente, a moça, ébria até o sangue, remexia, num movimento de vaivém, o pau retesado no interior de sua vulva. Os músculos do padre ficaram tensos. Por fim ela apertou tão decididamente que um violento arrepio fez estremecer o moribundo: ela sentiu a porra inundá-la. Então largou a garganta e caiu, derrubada por uma tempestade de prazer. Simone permanecia estendida sobre as lajes, de barriga para o ar, com o esperma do morto escorrendo pelas coxas. Estendi-me para fodê-la também. Estava paralisado. Um excesso de amor e a morte do miserável tinham-me esgotado. Nunca me senti tão feliz. Limitei-me a beijar a boca de Simone. A jovem teve vontade de ver a sua obra e afastou-me para se levantar. Trepou novamente, de cu pelado sobre o cadáver pelado. Examinou o rosto, limpou o suor da testa. Uma mosca, zumbindo num raio de sol, voltava incessantemente para pousar sobre o morto. Ela enxotou-a porém e de repente aconteceu algo estranho: pousada sobre o olho do morto, a mosca deslocava-se sobre o globo vítreo. Agarrando a própria cabeça com as mãos, Simone sacudiu-a, tremendo. Vi-a mergulhar num abismo de pensamentos. Por mais estranho que possa parecer, nós não nos tínhamos preocupado com o modo como essa história pudesse acabar. Se algum intrometido tivesse surgido, nós não teríamos deixado que manifestasse a sua indignação durante muito tempo... Mas não importa. Simone, saindo de seu embrutecimento, levantou-se e aproximou-se de Sir Edmond que se encostara a uma parede. Ouvia-se a mosca voar. - Sir Edmond, disse Simone, grudando seu rosto contra o ombro do inglês, você vai fazer o que eu lhe pedir? - Vou... provavelmente, respondeu o inglês. Ela me levou até ao lado do morto e, ajoelhando-se, levantou a pálpebra e abriu inteiramente o olho sobre o qual a mosca tinha pousado. - Você está vendo o olho? - E daí? - É um ovo, disse ela, com toda a simplicidade. Insisti, perturbado: - Aonde você quer chegar? - Quero me divertir com ele. - E mais o quê? Levantando-se, ela parecia afogueada (estava, então, terrivelmente nua). - Escute, Sir Edmond, disse ela, quero que você me dê o olho já. Arranque-o. Sir Edmond não estremeceu; pegou uma tesoura numa bolsa, ajoelhou-se, recortou as carnes e, em seguida, enfiando os dedos na órbita, retirou o olho, cortando os ligamentos estendidos. Colocou o pequeno globo branco na mão de sua amiga. Ela olhou a extravagância, visivelmente constrangida, mas não hesitou. Acariciando as pernas, fez escorregar o olho sobre elas. A carícia do olho sobre a pele é de uma doçura excessiva... e produz um horrível som, como um grito de galo. No entanto, Simone divertia-se, fazia o olho escorregar na racha das nádegas. Estendeu-se no chão, levantou as pernas e o cu. Tentou imobilizar o globo contraindo as nádegas, mas ele pulou como um caroço entre os dedos - e caiu sobre a barriga do morto. O inglês tinha-me despido. Joguei-me sobre a moça e a sua vulva engoliu o meu pau. Fodi-a: o inglês fez rebolar o olho entre nossos corpos. - Enfie ele no meu cu, gritou Simone. Sir Edmond introduziu o olho na fenda e empurrou. Finalmente, Simone deixou-me, tirou o olho das mãos de Sir Edmond e introduziu-o em sua carne. Nesse momento, puxou-me contra ela e beijou o interior da minha boca de um modo tão ardente que o orgasmo me veio logo: minha porra espirrou nos seus pêlos. Levantando-me, afastei as coxas de Simone: ela jazia no chão, estendida de lado. Encontrei-me então diante do que, imagino, eu esperara desde sempre, assim como uma guilhotina espera a cabeça que vai decepar. Os meus olhos pareciam-me eréteis de tanto horror; eu vi, na vulva peluda de Simone, o olho azul pálido de Marcela me olhar, chorando lágrimas de urina. Rastros de porra no pêlo fumegante conferiam a esse espetáculo uma dimensão de dolorosa tristeza. Mantinha as coxas de Simone afastadas: a urina ardente escorria por baixo do olho, sobre a coxa a poiada no chão... de História do Olho
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