Um vagabundo celestialPor Eduardo Bueno Nascido em San Francisco em 1930, filho de pais anarco-sindicalistas, "alemão por um lado, escocês-irlandês por outro", Gary Snyder foi criado numa fazenda na zona rural do estado de Washington onde cedo se descobriu tomado por um "fascínio indescritível diante do mundo natural". Aos 18 anos, no final dos anos 40, ganhou uma bolsa no Reed College, no Oregon. Em 1951, formou-se em Mitologia. Logo a seguir, fez um curso de Lingüistica na Universidade de Indiana e então, duplamente formado, decidiu "vagabundear bastante, trabalhando como lenhador e guarda florestal, percorrendo de carona toda a costa oeste, dormindo nos bosques, mergulhando nos regatos". Alternava essa vida ao ar livre com estudos de chinês clássico em Berkeley. Em setembro de 1955, integrado ao grupo Reinaissance, em companhia dos poetas Michael McClure, Phillip Lamantia e Phillip Whalen, conheceu Jack Kerouac nas ruas de San Francisco. O encontro histórico está narrado em Dharma Bums. Lá, Snyder - com o nome de Japhy Ryder aparece escalando montanhas imensas, "percorrendo as mesmas trilhas usadas por Jack London", meditando, redigindo haicais e praticando com fervor a cerimônia do chá, até partir para o japão a fim de receber o treino formal zen, nos primeiros meses de 1956. Ficou no Japão de maio de 56 a agosto de 1957; depois trabalhou num petroleiro até abril de 1958, visitando os portos do Pacífico e do Mediterrâneo. Na volta, instalou-se em San Francisco, onde permaneceu até janeiro de 1959, quando lançou seu primeiro livro, Riprap and Cold Mountain Poems e então retornou ao Japão para terminar seu treinamento, no monastério Daitoku-ji, com um mestre famoso: Oda Roshi. Snyder permaneceu no Japão até 1967, período em que dois de seus livros foram lançados nos EUA: Myths and Texts (1960) e A Range of Poems (1966). Ao regressar para a Califórnia, veio junto com a mulher, a japonesa Masxa e com o filho Kai, instalando-se numa fazenda, num vale entre as montanhas, no norte da Califórnia. Seus poemas, refinados, com requinte quase artesanal, são reflexos dessa vivência zen: estão repletos de "visões, natureza, magia, dança e ecologia tríbal". O melhor exemplo desta poesia está em Turtle Island (1974). Suas idéias libertárias & propostas revolucionárias estão reunidas em dois livros: Earth Høuse Hold (1969) e The Real Work (1979). Neles, fala de animismo, energia nuclear, zen-budismo, pré-história, meditação, xamanismo, dança ritual, poesia, contracultura, poluição, filosofia oriental, tribalismo, agricultura biológica, gnomos & fadas, urbanismo, meio ambiente. de Velhos Tempos |
|